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XV Jornada de Psicologia
 
 
 
Adolescência
SERÁ A ADOLESCÊNCIA UM PERÍODO DE (RE) DESCOBERTA DA SEXUALIDADE?

O adolescente vivência emocionalmente diversos lutos. Ele perde a noção do seu próprio corpo que se modifica, não sendo mais um corpo infantil. Sua relação com seus pais se torna diferente, já que ele não é mais criança, e sua identidade infantil também se dissipa, fazendo-o buscar uma nova noção de si mesmo. Deste modo, a relação idealizada com os pais se quebra surgindo conflitos.

Há também uma transformação na convivência social. O adolescente começa a se relacionar com as turmas.

Medo e o desejo causados pelas mudanças impostas são constante na vida de um adolescente.

A sexualidade do adolescente também sofre intensas mudanças: podemos dizer que adolescência é um momento de (ré) descobertas da sexualidade.

A sexualidade não surge na adolescência de repente, com a maturação dos órgãos genitais. Ela faz parte do ser humano desde o seu nascimento, passando por processo de desenvolvimento, como as demais funções humanas e sendo elemento importante nesse desenvolvimento.

A descoberta e o conhecimento do corpo são fundamentais no processo de desenvolvimento do ser humano; porém, desde a época da infância, é vista como processo natural desde de que não toque nos genitais. Mexer nessa parte do corpo "perturba" os adultos que, na maioria das vezes, estimulam a descoberta de pés, pernas, mãos, cabelos, mas reprimem e inibem a descoberta da genitália como se fosse a "região do pecado", área em que "pessoas honestas e bem comportadas" não têm acesso. Simplesmente se proíbe, dizendo que ali é "feio" mexer, ou mesmo não estimulando sobre a região genital .

A iniciação sexual no período da adolescência não é um fato novo. Para os meninos isso sempre foi estimulado. Preocupados com a masculinidade de seus filhos, era comum os pais levarem os meninos a prostíbulos para iniciarem sua vida sexual. Para as meninas, há décadas, o fato estava associado ao casamento. Hoje, as relações sexuais para ambos os sexos se dão, muitas vezes, antes do casamento, não havendo, efetivamente, intenção em constituir família.

À medida em que o adulto compreender todo o processo de mudança pelo qual passa o adolescente poderá aplacar suas angústias e com carinho e compreensão estar junto ao jovem ajudando-o e apoiando-o no reconhecimento e na caminhada para o seu novo papel e no desabrochar de um novo ser.

O adolescente precisa aprender a tomar decisões de forma responsável a respeito da sua sexualidade, pois elas afetam a si mesmo e a outros. Ele deve aprender a negociar comportamentos e limites sexuais. E lembrar que seus atos poderão ter efeitos de grande magnitude com conseqüências para toda a sua vida, como a gravidez, as doenças sexualmente transmissíveis, dificuldades sexuais e afetivas futuras, e isso precisa ser considerado.

Marilandes Ribeiro Braga - Diretora da Faculdade de Psicologia – UNOESTE – Psicóloga/Mestra/Psicoterapeuta/Especialista em Sexualidade Humana/Diretora de Publicações do CEPCos (Centro de Estudo e Pesquisa em Comportamento e Sexualidade) Delegada Regional da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana)

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