SERÁ
A ADOLESCÊNCIA UM PERÍODO DE
(RE) DESCOBERTA DA SEXUALIDADE?
O
adolescente vivência emocionalmente
diversos lutos. Ele perde a noção
do seu próprio corpo que se modifica,
não sendo mais um corpo infantil. Sua
relação com seus pais se torna
diferente, já que ele não é
mais criança, e sua identidade infantil
também se dissipa, fazendo-o buscar
uma nova noção de si mesmo.
Deste modo, a relação idealizada
com os pais se quebra surgindo conflitos.
Há
também uma transformação
na convivência social. O adolescente
começa a se relacionar com as turmas.
Medo
e o desejo causados pelas mudanças
impostas são constante na vida de um
adolescente.
A
sexualidade do adolescente também sofre
intensas mudanças: podemos dizer que
adolescência é um momento de
(ré) descobertas da sexualidade.
A
sexualidade não surge na adolescência
de repente, com a maturação
dos órgãos genitais. Ela faz
parte do ser humano desde o seu nascimento,
passando por processo de desenvolvimento,
como as demais funções humanas
e sendo elemento importante nesse desenvolvimento.
A
descoberta e o conhecimento do corpo são
fundamentais no processo de desenvolvimento
do ser humano; porém, desde a época
da infância, é vista como processo
natural desde de que não toque nos
genitais. Mexer nessa parte do corpo "perturba"
os adultos que, na maioria das vezes, estimulam
a descoberta de pés, pernas, mãos,
cabelos, mas reprimem e inibem a descoberta
da genitália como se fosse a "região
do pecado", área em que "pessoas
honestas e bem comportadas" não
têm acesso. Simplesmente se proíbe,
dizendo que ali é "feio"
mexer, ou mesmo não estimulando sobre
a região genital .
A
iniciação sexual no período
da adolescência não é
um fato novo. Para os meninos isso sempre
foi estimulado. Preocupados com a masculinidade
de seus filhos, era comum os pais levarem
os meninos a prostíbulos para iniciarem
sua vida sexual. Para as meninas, há
décadas, o fato estava associado ao
casamento. Hoje, as relações
sexuais para ambos os sexos se dão,
muitas vezes, antes do casamento, não
havendo, efetivamente, intenção
em constituir família.
À
medida em que o adulto compreender todo o
processo de mudança pelo qual passa
o adolescente poderá aplacar suas angústias
e com carinho e compreensão estar junto
ao jovem ajudando-o e apoiando-o no reconhecimento
e na caminhada para o seu novo papel e no
desabrochar de um novo ser.
O
adolescente precisa aprender a tomar decisões
de forma responsável a respeito da
sua sexualidade, pois elas afetam a si mesmo
e a outros. Ele deve aprender a negociar comportamentos
e limites sexuais. E lembrar que seus atos
poderão ter efeitos de grande magnitude
com conseqüências para toda a sua
vida, como a gravidez, as doenças sexualmente
transmissíveis, dificuldades sexuais
e afetivas futuras, e isso precisa ser considerado.
Marilandes
Ribeiro Braga - Diretora da Faculdade de Psicologia
– UNOESTE – Psicóloga/Mestra/Psicoterapeuta/Especialista
em Sexualidade Humana/Diretora de Publicações
do CEPCos (Centro de Estudo e Pesquisa em
Comportamento e Sexualidade) Delegada Regional
da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos
em Sexualidade Humana)