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início da vida de um casal, de modo
geral, é sempre deslumbrante. Mesmo
de forma inconsciente as partes procuram
deixar aparecer o que existe de melhor
para o relacionamento. Afastam qualquer
imagem que possa de alguma forma perturbar
o estado ideal da paixão.
Mas com
o passar do tempo, a intimidade chega
e cada um vai se mostrando como realmente
é, ou seja, se apresenta por inteiro.
Comportamentos
pessoais que antes eram invisíveis
vêm à tona, decepcionando aos pouco
o outro. Pequenas doses de ressentimentos
vão se armazenando.
É imperceptível
o exato momento que se inicia o processo
de separação.
O relacionamento
vai se desgastando lentamente. O beijo
na boca que é o termômetro da ligação
do casal é esquecido. Às vezes, o
tom de voz vai se alterando, o respeito
vai se afastando, cobranças sempre
presentes, abrindo espaço para a crise
conjugal.
São muitos
os fatores que contribuem para as
dificuldades conjugais Alguns deles
são: infidelidade (que não é mais
um valor absoluto, mas sim relativo
à situação do casal), dificuldades
financeiras, diferenças de educação,
estilo de vida, problemas sexuais
de ordem orgânica ou psicogênica e
muitos outros.
Surgem
questionamentos das partes: quem iniciou
o que? Quando iniciou?
Por quê?
Muitas
vezes as discussões são substituídas
pelo silencio. É o momento de reconhecer
que algo pode e deve ser feito pela
relação, por iniciativa de qualquer
uma das partes.
Na realidade,
regra universal, respostas pronta
para determinar quais são os fatores
que dão origem a crise conjugal que
pode levar a separação, não existe.
É complicado
para o casal compreender onde está
à deficiência no relacionamento. Procurar
por elas querendo enxergar o outro
como culpado, não vai resolver nada.
Quando
se percebe, a vida a dois se tornou
uma tortura. O encantamento, a cumplicidade,
a paixão, as fantasias, o amor, tudo
que existia se transforma em desprazer.
Daí pra frente, todo e qualquer comportamento
e gesto do outro (a) passa a incomodar.
Os danos
psicológicos são profundos, são raras
as separações sem traumas, embora
alguns casais passem esta impressão
pela aparente desenvoltura com que
anunciam a separação. Ainda é grande
o número de casais que não se separam
amigavelmente, mas sim de maneira
dramática.
É possível
que seja interessante buscar uma psicoterapia
de casais, como modo de resgatar o
relacionamento, antes que tudo se
desmorone.
Marilandes Ribeiro Braga
Delegada
Regional da SBRASH - Sociedade
Brasileira de Estudos em Sexualidade
Membro do CEPCoS: Centro
de Estudos e Pesquisas de Comportamento
e Sexualidade
Psicóloga e Terapeuta Sexual.
E-mail: mailto:marilandes@uol.com.br |
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