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XV Jornada de Psicologia
 
 
 
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Sobre separação

O início da vida de um casal, de modo geral, é sempre deslumbrante. Mesmo de forma inconsciente as partes procuram deixar aparecer o que existe de melhor para o relacionamento. Afastam qualquer imagem que possa de alguma forma perturbar o estado ideal da paixão.

Mas com o passar do tempo, a intimidade chega e cada um vai se mostrando como realmente é, ou seja, se apresenta por inteiro.

Comportamentos pessoais que antes eram invisíveis vêm à tona, decepcionando aos pouco o outro. Pequenas doses de ressentimentos vão se armazenando.

É imperceptível o exato momento que se inicia o processo de separação.

O relacionamento vai se desgastando lentamente. O beijo na boca que é o termômetro da ligação do casal é esquecido. Às vezes, o tom de voz vai se alterando, o respeito vai se afastando, cobranças sempre presentes, abrindo espaço para a crise conjugal.

São muitos os fatores que contribuem para as dificuldades conjugais Alguns deles são: infidelidade (que não é mais um valor absoluto, mas sim relativo à situação do casal), dificuldades financeiras, diferenças de educação, estilo de vida, problemas sexuais de ordem orgânica ou psicogênica e muitos outros.

Surgem questionamentos das partes: quem iniciou o que? Quando iniciou?

Por quê?

Muitas vezes as discussões são substituídas pelo silencio. É o momento de reconhecer que algo pode e deve ser feito pela relação, por iniciativa de qualquer uma das partes.

Na realidade, regra universal, respostas pronta para determinar quais são os fatores que dão origem a crise conjugal que pode levar a separação, não existe.

É complicado para o casal compreender onde está à deficiência no relacionamento. Procurar por elas querendo enxergar o outro como culpado, não vai resolver nada.

Quando se percebe, a vida a dois se tornou uma tortura. O encantamento, a cumplicidade, a paixão, as fantasias, o amor, tudo que existia se transforma em desprazer. Daí pra frente, todo e qualquer comportamento e gesto do outro (a) passa a incomodar.

Os danos psicológicos são profundos, são raras as separações sem traumas, embora alguns casais passem esta impressão pela aparente desenvoltura com que anunciam a separação. Ainda é grande o número de casais que não se separam amigavelmente, mas sim de maneira dramática.

É possível que seja interessante buscar uma psicoterapia de casais, como modo de resgatar o relacionamento, antes que tudo se desmorone.

 

Marilandes Ribeiro Braga
Delegada Regional da SBRASH - Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade
Membro do CEPCoS: Centro de Estudos e Pesquisas de Comportamento e Sexualidade
Psicóloga e Terapeuta Sexual.
E-mail: mailto:marilandes@uol.com.br

 

 

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