| ASSEDIO
MORAL
"O inferno são
os outros" (J.-P. Sartre)
Assédio moral no
trabalho não é um fenômeno novo. Podemos dizer
que é tão antigo quanto o trabalho, o que
modificou é que tem sido um dos temas mais
discutidos na atualidade e se reflete mais
sobre o assunto.
Na antiguidade
quem trabalhava eram as pessoas de menos posse.Hoje
indiferente da classe social e da condição
financeira todos querem fazer parte do mercado
de trabalho.
De acordo com dicionários
da língua portuguesa a palavra “Trabalho"
se origina do latim "TRIPALIU" - denominação
de um instrumento de tortura formado por três
(tri) paus (paliu). Desse modo, originalmente,
"trabalhar" significava ser torturado no tripaliu.
Era associado a sofrimento e a valores negativos.
Com o tempo a palavra trabalhar foi ganhando
outros significados. Hoje trabalhar signica
realizar-se.
Assédio Moral no
Trabalho é a exposição do trabalhador (a)
a situações de humilhação e constrangimento
durante a jornada de trabalho, pelo seu superior
hierárquico,(comflito vertical)ou colega (
conflito horizontal), de forma repetitiva.
Podendo provocar na vítima uma desestruturação
psicológica.
O assédio moral
alcançou maior divulgação acadêmica no Brasil
através da dissertação de Mestrado em Psicologia
Social da Dra. Margarida Barreto, defendida
em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título
"Uma jornada de humilhações.” Segundo ela,
as vítimas mais freqüentes são pessoas capazes
e criativas, que resistem às investidas dos
chefes, trabalham mesmo doentes, maiores de
35 anos e em sua maioria mulheres.
A psicoterapeuta
francesa Marie-France Hirigoyen, autora do
livro Assédio Moral – a violência perversa
do cotidiano, em sua definição, considera
assédio moral todo tipo de ação, gesto ou
palavra que atinja, pela repetição, a auto-estima
e a segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar
de si e de sua competência, implicando em
dano ao ambiente de trabalho, à evolução da
carreira profissional ou à estabilidade do
vínculo empregatício do funcionário, tais
como: marcar tarefas com prazos impossíveis;
passar alguém de uma área de responsabilidade
para funções triviais; tomar crédito de idéias
de outros; ignorar ou excluir um funcionário
só se dirigindo a ele através de terceiros;
sonegar informações de forma insistente; espalhar
rumores maliciosos; criticar com persistência;
e subestimar esforços.
Assedio moral é
"conduta abusiva, manifestando-se, sobretudo
por comportamentos, palavras, atos, gestos,
escritos que possa trazer dano a personalidade,
à dignidade ou à integridade física ou psíquica
de uma pessoa". (HIRIGOYEN, 2000: p.65)
A vítima indefesa
duvida da sua própria competência. Ocorre
o rebaixamento da sua auto-estima.
Segundo o sueco
Heinz Leymann, psicólogo do trabalho, “assédio
moral é a deliberada degradação das condições
de trabalho, por meio do estabelecimento de
comunicações anti-éticas (abusivas), que se
caracterizam pela repetição por longo tempo
de duração de um comportamento hostil que
um superior ou colega(s) desenvolve(m) contra
um indivíduo que apresenta, com reação, um
quadro de miséria física, psicológica e social
duradoura”.
Quase sempre o
homem e a mulher reagem de forma diferente
quando assediados. Enquanto a mulher chora,
tem depressão, rebaixamento da auto-estima
e inibição do desejo sexual, o homem tem sede
de vingança e se fecha mais.
O comportamento
de um agressor geralmente leva a vítima a
se sentir fragilizada, ridicularizada, inferiorizada,
menosprezada frente a seus colegas.
Na maioria das
vezes, a vítima desconhece as medidas que
podem ser tomadas, alem do medo de tomar qualquer
atitude que possa prejudicá-la.
Gradativamente
vai perdendo sua autoconfiança e o interesse
pelo trabalho, diminuindo sua produtividade
e acaba se sentindo forçada a pedir demissão,
isso quando não é demitida antes.
O assédio moral
é um problema gravíssimo que pode acontecer
nos diversos setores da nossa vida tais como:
no trabalho, no meio familiar, na escola,
nos locais de lazer, em sociedade de modo
geral.
As causas do desenvolvimento do assedio moral
são varias: inveja, inimizades pessoais, a
competitividade sem limite; o individualismo
o medo de perder o emprego ou o cargo de trabalho
para colegas mais capazes, ou experientes;
o receio que suas falhas sejam descobertas.
Para defender-se
de um assedio moral a vítima precisa estar
em boas condições psicológicas por isso é
importante reagir o mais rápido possível,
antes de se sentir totalmente desestruturada.
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Marilandes Ribeiro Braga
Psicóloga/
Mestra/Terapeuta Sexual
Delegada
Regional da SBRASH(Sociedade Brasileira
de Estudos da Sexualidade Humana)de
Presidente Prudente SP
E-mail: marilandes@uol.com.br
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